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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Lama de barragem vai comprometer produção agropecuária


O solo das regiões atingidas pela lama que vazou após o rompimento de barragem da Mineradora Samarco, em Mariana (MG), não apresenta condições adequadas para o desenvolvimento de atividades agropecuárias. Essa é a conclusão de um estudo elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a pedido do governo de Minas Gerais.

O levantamento começou no dia 18 de novembro, incluiu coletas em dez pontos de amostragem de áreas atingidas pela lama em Minas Gerais.

De acordo com o relatório, apesar de não ter sido detectada a presença de metais pesados em níveis tóxicos nas amostras, o solo apresenta deficiência de fertilidade e problemas de ordem física causados pelo surgimento repentino de uma camada de sedimentos na parte superior da terra.

Conforme as análises laboratoriais, o material sedimentando não apresenta condições para germinação de sementes ou para desenvolvimento de raízes das plantas.

O estudo da Embrapa indica redução dos níveis de potássio, magnésio e cálcio no solo, elementos necessários nas atividades agrícolas. O pH, que mede a acidez do solo, também foi alterado. A tendência é que o solo fique bastante compactado por causa dos altos teores de fragmentos de rochas e areia fina, com baixa presença de argila.

Para resolver o problema, a recomendação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) é uma intensa atividade de reflorestamento em todas a área atingida pelos rejeitos, que deve trazer resultados em alguns anos.

Em parceria com as prefeituras, a Emater-MG elaborou um plano de ação para fazer visitas aos produtores atingidos. Também estão sendo aplicados questionários para quantificar as perdas sofridas pelos agricultores, que são da responsabilidade da empresa Samarco e de suas controladoras, as mineradoras Vale e BHP Billiton.

domingo, 29 de novembro de 2015

Lama de barragem pode ser usada para construir casas

Uma pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) encontrou uma forma de transformar o lixo de minério que surgiu com o rompimento da barragem em Mariana (MG) em material de construção. Com o material, é possível produzir blocos para alvenaria, para pavimentação e para construção sustentável- que é basicamente rejeito de lama prensado. 

O pesquisador da instituição, Ricardo Fiorotti, explica que ao tirar a lama das barragens, o impacto ao meio ambiente é menor porque será extraído menos areia, minério, argila e ainda reduz os volumes de sólidos nas barragens de rejeito.

No processo há duas alternativas: uma é captar os rejeitos de forma bruta e aplicar na elaboração de pré-fabricados, como tijolos, blocos de pavimentação urbana, canaletas e postes, e a outra é separar da lama, a areia, a argila e o minério de ferro, sem a utilização da água.

O empresário que produz os blocos, Claúdio Silva, afirma que essa pode ser uma solução para o problema de Mariana, município de Minas Gerais que sofreu destruições com o rompimento de barragens. “Se realmente é jogado 400 a 500 toneladas desse resíduo fora no meio ambiente, é possível fazer aproximadamente 40 casas de 40m² a 45m²."

FONTE: EBC

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cientistas criam grupo para análises independentes da tragédia em Mariana


A lama que corre por Minas Gerais e Espírito Santo é tóxica? Qual o impacto real na fauna e na flora da região? Qual a qualidade da água? Quem deve responder legalmente pelo desastre? São muitas as perguntas em torno da catástrofe provocada pelo rompimento das barragens em Mariana e poucas as fontes confiáveis. Para tentar achar respostas livres de interesses privados ou tendenciosas, um grupo de pesquisadores e cientistas decidiu fazer uma avaliação independente dos impactos ambientais.

As conversas começaram entre amigos --eram dez pesquisadores que acreditaram que precisavam fazer mais do que só comentar sobre a tragédia. Mas logo a iniciativa tomou enormes proporções. Hoje, o projeto conta com uma página no Facebook com mais de 3.500 inscritos e um crowdfunding, financiamento coletivo, que já arrecadou mais de R$ 27 mil.

"Estávamos trocando uma infinidade de posts e surgiu a vontade de fazer um trabalho independente e de fácil acesso, usar nossas habilidades científicas para compreender o que realmente aconteceu. Criamos uma corrente científica." Alexandre Martensen, biólogo que ajuda na coordenação do estudo enquanto faz doutorado na Universidade de Toronto

Os primeiros pesquisadores do grupo, batizado de Giaia (Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental), foram até Mariana com recursos próprios ou com apoio de universidades. Depois moradores e voluntários de diversas áreas se juntaram.

"Não tínhamos ideia das proporções que alcançaríamos. A proposta era conseguir juntar R$ 50 mil para financiar análises do solo e da água, para ver como a lama de fato afetou a região. Mas o número de voluntários foi tamanho que agora há diversos subgrupos para estudos das mais variadas vertentes", conta Martensen.

Advogados voluntários estão analisando a parte legal da catástrofe, enquanto moradores auxiliam na coleta de amostras. Pesquisadores colaboram cedendo estudos sobre a região ou oferecendo novas análises aprofundadas da fauna e da flora.

O Giaia planeja colocar em um site todos os estudos, publicados de maneira que qualquer leigo consiga compreender os resultados. As informações estarão disponíveis em detalhes, com a origem da amostras analisadas, quem as colheu, quando e qual o laboratório responsável pela análise.

"Junto com a tragédia veio uma enxurrada de informação e não sabíamos quem tinha razão na análise de dados", explicou Martensen. "Por exemplo, há quem acredite que o rio pode diluir a lama e voltar a viver, há quem diga que ele está morto. Não compramos nenhuma resposta, mas incentivamos os estudos para compreender a situação."

O grupo conseguiu amostras da água e do solo limpos, antes de a lama alcançar a foz do rio, e por isso será capaz de fazer diversos estudos comparando o antes e depois. As amostras serão encaminhadas para diferentes laboratórios para garantir resultados precisos dos danos na bacia do rio Doce. "Sem vínculos com empresas, queremos divulgar os resultados sem interesses subjetivos", ressalta o biólogo.

O projeto animou a comunidade científica. Além de criar um grande acervo de pesquisa capaz de viabilizar respostas claras sobre o acidente, o projeto abre portas para estudos futuros.

FONTE: UOL

Texto a seguir está no site Kickante para obtenção de fundos para a pesquisa:

A divulgação da iniciativa atingiu um número enorme de pessoas, vários profissionais relacionados ao tema se ofereceram como voluntários. Várias outras iniciativas de monitoramento e relato dos impactos causados pela lama que desce o Rio Doce estão em andamento.

O momento e a quantidade de pessoas agregadas oferecem a oportunidade única de realizar um trabalho colaborativo envolvendo comunidade científica e cidadãos atingidos pelo desastre através do conceito de ciência cidadã.

O envolvimento da comunidade nas atividades científicas é fundamental para expandir a nossa capacidade de coleta de dados; ampliar, disseminar e valorizar o conhecimento científico; valorizar e empoderar o cidadão, além de ampliar o pensamento crítico e gerar insumos políticos para um possível debate posterior das consequências do desastre.

Continuamos contando com a ajuda de todos para a construção coletiva do relatório!

https://www.facebook.com/giaia2015

http://giaia.eco.br/

A lama liberada pelo rompimento das barragens seguirá o curso dos rios em seu caminho, causando impactos negativos enormes, tanto para as populações humanas que vivem às margens quanto para os ambientes por onde passa. A mortandade da fauna comprometerá a biodiversidade dos corpos de água e a regeneração destes ambientes será demorada, aumentando os efeitos do desastre.

Os impactos ambientais devem ser documentados com a maior isenção e precisão possíveis. Isto é de extrema importância para que decisões relacionadas ao evento sejam tomadas também de forma isenta, reais responsabilidades sejam apuradas, além de proporcionar condições para amenizar os danos causados e fornecer subsídios que ajudem a criar procedimentos que minimizem o risco de que o fato se repita em empreendimentos semelhantes.

Considerando que este é um dos maiores desastres ambientais sofrido pelo Brasil, envolvendo rios e as populações a sua volta, abrangendo vários municípios, que as posturas das instituições públicas são vagas e o poder econômico dos envolvidos, é de extrema importância que exista um relatório independente e isento, que possa ser utilizado nas ações decorrentes relacionadas aos efeitos do rompimento das barragens.

Preocupados com isto, um grupo de pesquisadores se mobilizou voluntariamente para realizar este levantamento.

TODOS OS NOSSOS RESULTADOS SERÃO DE DOMÍNIO PÚBLICO constituindo-se em ferramenta para que este desastre não fique impune.

Faremos PRESTAÇÃO DE CONTAS PÚBLICA DE CADA CENTAVO.



Para nós, ética e rigor científico são valores fundamentais e incondicionais. Somos um grupo independente e apartidário.

Para concretizar os trabalhos, é necessário cobrir as despesas envolvidas. Para isto contamos com a ajuda de todos. Contribua para esta iniciativa e mostre que não aguentamos mais o acobertamento de eventos como este.

#GIAIA

#somostodosresponsáveis

#‎sosriodoce

Quer contribuir com a pesquisa??? Clique AQUI