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domingo, 10 de abril de 2016

UFV: Solos e Nutrição de Plantas - Processo seletivo Aberto para Mestrado e Doutorado 2016-II


Estão abertas as inscrições para Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas promovido pela Universidade Federal de Viçosa - UFV. O período FINAL da inscrições é dia 15 de Abril. Serão disponibilizadas 14 vagas, sendo 8 de mestrado e 6 de doutorado.

As linhas de pesquisa desenvolvidas na UFV são:

1. GEOQUÍMICA, MINERALOGIA DE SOLOS E REMEDIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS - Propriedades do solo e fenômenos físico-químicos. Tratamento e reciclagem de resíduos. Metais pesados no sistema solo-planta. Drenagem ácida. Recuperação de áreas degradadas. Gênese, estrutura e identificação de minerais. Mecanismos Redox. Adsorção e troca iônica em solos de carga variável. 

2. PROCESSOS PEDOGENÉTICOS E RELAÇÃO SOLO-AMBIENTE - Processos de gênese das classes de solos brasileiros (atributos químicos, físicos, mineralógicos e micromorfológicos). Evolução pedogeomorfológica, levantamento de solos e aptidão agrícola, com ênfase em técnicas de geoprocessamento. 

3. ALTERAÇÕES DE PROPRIEDADES EDÁFICAS EM DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO - Bacias hidrográficas como unidade de manejo dos solos. Dinâmica de água e solutos no sistema solo-planta. Compactação, adensamento e encrostamento de solos. Retenção de água em substratos para plantas ornamentais. Perdas por erosão. 

4. MANEJO NUTRICIONAL DE AGROECOSSISTEMAS - Eficiência de absorção e utilização de nutrientes, formas de nutrientes e equilíbrios catiônicos e aniônicos em plantas; compartimentalização e translocação de nutrientes. Status nutricional de plantas; correção e adubação do solo para os cultivos. 

5. MATÉRIA ORGÂNICA E SUSTENTABILIDADE DE AGROECOSSISTEMAS - Aporte e dinâmica de matéria orgânica no solo. Características das substâncias húmicas. Adubação verde. Biologia do solo. Modelos matemáticos aplicados à dinâmica da matéria orgânica do solo. 

6. FATORES E PROCESSOS EM SOLOS DE ECOSSISTEMAS FLORESTAIS - Ciclagem de carbono e nutrientes em formações florestais. Nutrição mineral de espécies florestais. Correção e fertilização de solos cultivados com espécies florestais. Classificação de sítios. Implicações das técnicas de manejo na produtividade florestal.


O PROCESSO DE SELEÇÃO CONSISTE DE DUAS FASES:

I - PRIMEIRA FASE: ANÁLISE DE CURRÍCULO

Envolve o julgamento da documentação exigida na inscrição efetuada de forma on-line pelo candidato.
Os documentos necessários, bem como o sistema para a realização da inscrição on-line são disponibilizados em: https://www3.dti.ufv.br/ppg/sisppg-inscricao-pos/instrucoes-inscricao-candidato/
Uma vez no “Sistema PPG – Inscrição Pós-graduação”, clicar em “Confirmo a leitura das instruções para a inscrição” e em “INSCREVER-SE” para permitir acesso.
Após iniciada a inscrição, o retorno ao sistema para modificações ou inserções adicionais pode ser conseguido em “CONSULTAR INSCRIÇÃO”, desde que a inscrição não seja finalizada.

Para verificar os critérios da primeira fase da seleção acesse: Criterios Selecao PPGSNP-UFV.

IMPORTANTE:

- TODOS os arquivos referentes à documentação a serem inseridos no “Sistema PPG – Inscrição Pós-graduação” devem ser em formato PDF.

- No procedimento de inscrição, em “Documentos a Enviar” no item “Curriculum vitae” deverá OBRIGATORIAMENTE ser anexado o “Currículo específico do Programa” do PPGSNP-UFV.

- O Currículo específico do Programa do PPGSNP-UFV está disponível para download em dois locais: 1) em “Download de documentos”, na página da inscrição on-line, com o nome “Curriculum Vitae PPGSNP/UFV”, ou 2) no link: Curriculum_Vitae_Especifico_Programa

- O currículo deverá ser preenchido no formato “Word”, ter suas páginas numeradas e ser salvo posteriormente em formato “PDF”, antes de ser anexado à inscrição.

- Os comprovantes dos dados informados no “Curriculum Vitae Específico do Programa” devem ser escaneados em formato “PDF” em um ÚNICO ARQUIVO. Esse arquivo deve ser anexado no item: “Comprovantes solicitados no “Curriculum Vitae Específico do Programa” – arquivo único.”

- PROJETO DE PESQUISA: Somente aos candidatos ao Doutorado é exigido a apresentação de um projeto de pesquisa COMPLETO, cujo arquivo deverá ser anexado em “Documentos obrigatórios a enviar”, no formato PDF.

- PLANO DE TRABALHO: Somente aos candidatos ao Mestrado é exigido a apresentação de um plano de trabalho: “Assunto de preferência para desenvolver o trabalho de dissertação e a forma de utilização dos novos conhecimentos a serem adquiridos. Como sugestão o Plano de Trabalho deve constar, em no máximo 2 páginas: justificativa, breve revisão de literatura, objetivo geral e aspectos metodológicos gerais”. O arquivo deverá ser anexado em “Documentos obrigatórios a enviar”, no formato PDF.

- CARTAS DE RECOMENDAÇÃO: São exigidas de cada candidato ao Mestrado e Doutorado três cartas de recomendação de pessoas ligadas à sua vida acadêmica. Estas cartas deverão ser encaminhadas para o PPGSNP-UFV pelo próprio informante. O endereço para o envio encontra-se no rodapé da carta de recomendação. O arquivo com a carta de recomendação está disponível para download em: CARTA DE RECOMENDACAO

- TAXAS DE INSCRIÇÃO: o boleto deve ser impresso através da página da inscrição on-line na opção “Boleto de Inscrição” no item “Inscrição”.
Candidato Brasileiro …………………………………………………………. R$ 116,00
Candidato Estrangeiro ………………………………………………………. R$ 116,00
(Candidato estrangeiro residente no exterior deverá efetuar o pagamento da taxa por meio de transferência bancária internacional (Wire Transfer), com os seguintes dados para crédito: Banco do Brasil / Universidade Federal de Viçosa / Av. P.H. Rolfs, s/n – Campus Universitário – Viçosa-MG – CEP: 36570-900 / SWIFT: BRASBRRJBHE).



II - SEGUNDA FASE: REDAÇÃO, INTERPRETAÇÃO DE ARTIGO E ARGUIÇÃO

Os candidatos selecionados na primeira fase serão submetidos à ARGUIÇÃO presencial ou à distância, e deverão ainda redigir uma REDAÇÃO sobre temas gerais relacionados à ciência do solo. Adicionalmente, os candidatos ao Doutorado deverão redigir um texto interpretativo de um ARTIGO científico.
O tema da REDAÇÃO e o ARTIGO científico a ser interpretado serão encaminhados por e-mail aos candidatos, bem como os prazos/horários a serem cumpridos.
No caso da ARGUIÇÃO à distância, o candidato deverá providenciar as condições necessárias para que a Comissão Avaliadora entre em contato com o mesmo, sendo requerida uma conexão adequada (banda larga) e o Programa SKYPE com WEBCAM.

IMPORTANTE: processos incompletos não serão aceitos.


Para informações adicionais, o interessado deverá dirigir-se à:

Coordenação de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas

Departamento de Solos
Universidade Federal de Viçosa
36570-900 – Viçosa, MG
Telefone: (31) 3899-2632
E-mail: snp@ufv.br
Site: www.possolos.ufv.br

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Estudo analisa vulnerabilidade de solos e aquíferos de Minas Gerais

Com o intuito de subsidiar o planejamento de uso e ocupação dos solos do Estado de Minas Gerais para diversas atividades econômicas, até mesmo para a produção agrícola, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal de Viçosa (UFV) atualizaram mapas de vulnerabilidade de solos e aquíferos à contaminação por metais pesados, tais como chumbo, cromo e manganês. Realizado em escala regional, o mapeamento sinalizou as áreas mais suscetíveis à lixiviação de poluentes nos solos e o potencial de chegada às águas subterrâneas.

O engenheiro ambiental Carlos Eduardo Pacheco, da Embrapa Hortaliças (DF), que participou do estudo, frisa que o trabalho foi totalmente realizado antes do acidente ocorrido no dia 5 novembro de 2015 no Município de Mariana e, portanto, não aborda os impactos dessa ocorrência. 

O estudo identificou que áreas mais suscetíveis à contaminação, geralmente, estão próximas a cursos d'água superficiais. Regionalmente, maior vulnerabilidade foi apresentada no norte e nordeste do estado, assim como na análise relativa ao solo, e em parte do Vale do Jequitinhonha. O pesquisador alerta para o fato de que, embora essas regiões sejam mais vulneráveis, elas não são problemáticas em termos de ocupação do solo. Diferentemente, no Triângulo Mineiro, cuja vulnerabilidade não é comprometedora, mas onde a ocupação é maior, há necessidade de se realizar um monitoramento para evitar possíveis riscos ambientais. 

"Quando se fala em vulnerabilidade, consideramos uma condição natural. Com relação ao risco, acrescenta-se também uma condição antropogênica, causada pela presença humana. Por essa razão, é preciso ponderar não somente as características inerentes ao meio ambiente, como também as atividades econômicas conduzidas na área", detalha o engenheiro ambiental para quem os resultados obtidos podem subsidiar mapeamentos em escalas locais. 

Os metais pesados podem ser aportados aos solos em decorrência de diversas atividades econômicas, tais como mineração e agropecuária. Na agricultura, a disponibilização de contaminantes ocorre, principalmente, em razão do aporte de insumos químicos diversos, nos quais os metais podem estar presentes em pequenas quantidades como contaminantes ou, em alguns casos, como princípio ativo. Essa disponibilização também pode ocorrer em razão do uso de águas contaminadas para irrigação, reaproveitamento de resíduos orgânicos, também contaminados, dentre outros.

"Um exemplo é a ocorrência de liberação de metais pesados em áreas agrícolas após certo período de abandono. Isso porque as áreas produtoras utilizam calcário para corrigir o pH do solo que, quanto mais elevado (básico), contribui para a retenção dos metais pesados. Quando inutilizam determinada lavoura e param de adicionar calcário, o pH fica mais baixo (ácido) e, com isso, os contaminantes presentes no solo podem se tornar móveis a ponto de lixiviar e atingir os lençóis freáticos", explica Pacheco.

Além do pH, o estudo da vulnerabilidade dos solos considerou variáveis como profundidade, teor de matéria orgânica, teor de óxido de ferro (hematita), entre outras, a partir de dados disponíveis na literatura científica. Os resultados apontam que a maior parte dos solos do estado apresenta vulnerabilidade moderada. Contudo, há áreas com alta vulnerabilidade concentradas na região norte e noroeste, que possuem solos mais arenosos e, por isso, mais sujeitos à lixiviação. 

"A vulnerabilidade não significa risco ambiental, mas é um indicativo de que a instalação de atividades com potencial para disponibilizar metais pesados deve ser realizada após estudos de avaliação de impacto ambiental", esclarece o pesquisador ao comentar que, com base nos resultados, há como definir as áreas mais aptas, em termos ambientais, aos diversos usos econômicos, entre eles o uso agrícola.

Mapeamento dos aquíferos

Para definir em quais áreas o planejamento de uso e ocupação deve ser prioritário, além dos solos, recomenda-se considerar a vulnerabilidade dos aquíferos para que também sejam limitados os aportes de poluentes nas regiões com águas subterrâneas mais suscetíveis à contaminação por metais pesados. Por isso, a partir do mapa de vulnerabilidade dos solos de Minas Gerais, foram considerados outros fatores como profundidade da água, topografia, condutividade hidráulica, permeabilidade dos solos e precipitação para estabelecer um mapa específico para a vulnerabilidade dos aquíferos. 

Mais de 60% das áreas apresentam vulnerabilidade baixa ou moderada, principalmente aquelas com aquíferos profundos e com solos capazes de reter os contaminantes. No geral, áreas com solos argilosos e com maiores teores de óxidos são menos propensas à contaminação das águas subterrâneas como, por exemplo, a região centro-sul do estado e a Zona da Mata.

Na categoria intermediária, enquadram-se as regiões do Alto Paranaíba, do Triângulo Mineiro e outras localidades pontuais do estado. "No Triângulo, por exemplo, há o predomínio de solos de textura média e, embora o comportamento físico se aproxime dos solos arenosos, com tendência à lixiviação, há considerável porção de argila no solo e, além disso, a composição química com elevada concentração de hematita favorece a retenção dos metais pesados", elucida Pacheco.

Sobre a interferência da ação humana, em linhas gerais, o raciocínio que deve predominar em relação aos aquíferos é que as águas de uma área com alta vulnerabilidade que não recebem aporte de poluentes podem apresentar melhor qualidade que as águas de uma região de baixa vulnerabilidade, mas que recebem contaminantes. "Contudo, qualidade é um atributo muito mais abrangente que envolve fatores químicos e microbiológicos. Portanto, essa análise deve ser considerada somente para a contaminação por metais pesados", adverte o pesquisador.

Alterações ambientais podem desencadear contaminações

Óxidos de ferro, ou hematita, são muito comuns em solos drenados e sem acúmulo de água. Nas regiões tropicais, a cor avermelhada dos solos é um indicativo da presença dessa substância. A grande vantagem da hematita é a capacidade de promover a adesão de elementos químicos, como os metais pesados, na sua superfície. Do ponto de vista ambiental, esse processo é muito importante porque evita que, em áreas com grande aporte de metais, ocorra facilmente a contaminação de um lençol freático.

Nesse sentido, os solos com altos teores de hematita asseguram a baixa mobilidade dos metais pesados. Porém, algumas alterações ambientais podem ocasionar a liberação repentina de compostos ou elementos químicos antes imóveis no solo. No começo da década de 1990, esse processo ficou conhecido como bomba-relógio química ou, no inglês, chemical time bomb.


De acordo com Pacheco, há uma série de alterações climáticas que podem desencadear a liberação das substâncias como o aquecimento ou a concentração de chuvas intensas em períodos reduzidos de tempo. Áreas alagadas, por exemplo, não permitem a entrada do oxigênio e, assim, interferem no potencial de oxidação do solo e facilitam a percolação, ou lixiviação, de metais pesados.

Basicamente, no caso de inundações intensas e duradouras, os óxidos de ferro presentes no solo sofrem modificações e perdem a capacidade de agrupar os metais pesados e mantê-los aderidos em sua molécula. Com isso, os metais ganham mobilidade no solo, podendo migrar para outros compartimentos ambientais, como os aquíferos.

"Outra consequência das chuvas intensas é o aumento do processo de erosão, que carrega partículas de solo para outros locais", exemplifica o pesquisador ao acrescentar: "quando o solo chega por erosão nos corpos d'água ou leito de rio, espera-se que o processo seja similar ao alagamento, com os metais pesados dissociando-se das moléculas de hematita". 

Soluções tecnológicas com foco no planejamento ambiental

A atualização dos mapas de vulnerabilidade de solos e aquíferos de Minas Gerais à contaminação por metais pesados, realizada pela Embrapa Hortaliças em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, com a liderança do professor Maurício Paulo Fontes, pretende subsidiar a proposição e a adoção de soluções tecnológicas aliadas ao planejamento socioeconômico e ambiental do estado. 

"Em última instância, mesmo que seja necessário ocupar uma área vulnerável, é possível utilizar técnicas para evitar a percolação do metal e a contaminação", sublinha Pacheco, ao ressaltar que a situação ideal é desconsiderar áreas vulneráveis para determinados fins como atividades industriais que são muito impactantes. 

Em relação à produção agrícola, cultivos intensivos a longo prazo, principalmente de hortaliças, que são muito exigentes em fertilizantes, podem apresentar riscos de contaminação. Por isso, ao planejar a implantação de um polo olerícola, deve-se ponderar aspectos climáticos, tipos de solo, mas também os riscos que altos aportes de insumos químicos podem ocasionar para a região.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Emater MG inaugura projeto para recuperação de nascentes no Norte de Minas Gerais


Preservar e recuperar as nascentes e construir bacias para captação de água de chuva no Norte de Minas através do plantio de mudas de árvores nativas. Este é o objetivo do programa ‘Produzindo Água no Semiárido’ para os próximos três anos.

O programa foi lançado oficialmente na sexta-feira (16/10), no município de Japonvar. Foi idealizado pela Emater-MG e desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Japonvar e com o apoio de produtores rurais locais.

Desde 2013, produtores rurais de Japonvar sofrem com a seca do reservatório do Rio Mangair. Os 20 mananciais que abastecem o município secaram e cerca de 80% das lavouras foram perdidas durante este período.

Para tentar reduzir os impactos, a Emater-MG deu início ao ‘Produzindo Água no Semiárido’, que envolve um conjunto de ações para recuperação das nascentes e o enriquecimento do lençol freático.

O projeto está sendo desenvolvido a longo prazo serve também como forma de conscientizar sobre a necessidade de preservar as nascentes para garantir mais água no futuro.

Até hoje já foram construídas 70 barraginhas nos municípios do Norte de Minas. O objetivo inicial, após o lançamento do projeto, segundo o coordenador técnico da Emater-MG, Carlos Alberto Xavier, é construir 500 barraginhas e, quando chegar a este número, os envolvidos no projeto vão realizar um dia especial ambiental para avaliar resultados e o andamento do programa.

De acordo com Xavier, o papel da Emater-MG é operacionalizar a assistência técnica a práticas regenerativas e extensão rural. Neste sentido, são estabelecidas ações educativas, com metodologia especial, que incentivam a mudança de comportamento da população rural em relação ao meio ambiente.

“Nós da Emater-MG protagonizamos diversas reuniões nas comunidades para o envolvimento da população em torno do problema, tendo como expoente maior o secamento do rio nunca antes visto”, explica o coordenador técnico da Emater-MG, com relação às ações em Japonvar.

O trabalho de revitalização ambiental no município teve início em 2003, quando a Agência Nacional de Águas (ANA) financiou elaboração de projetos de sub-bacias hidrográficas.

Em 2008, o Governo Federal, via Codevasf, firmou convênio com o Estado de Minas Gerais, por meio da Emater e Ruralminas, liberando um repasse financeiro para implantar práticas conservacionistas em cerca de 200 municípios ao longo na bacia do rio São Francisco.

Revitalização e conscientização ambiental

Hoje as ações do projeto são conjuntas. “A prefeitura fornece as máquinas utilizadas na recuperação e nos plantios. Os produtores rurais ajudam no custeio, como nos custos com óleo dos tratores e outros gastos. Já a Emater-MG fornece assistência técnica adequada, acompanha as intervenções e é responsável pela mobilização de produtores”, afirma Xavier.

A expectativa é expandir o ‘Produzindo Água no Semiárido’ para todos os municípios da região. Para o projeto ser executados com as prefeituras locais é necessário a criação e tramitação de projetos de lei nas câmaras municipais, o que aconteceu inicialmente em Japonvar.

Ainda segundo Xavier, há um diálogo permanente envolvendo prefeitura, Câmara de Vereadores e o CMDR para escolha de uma sub-bacia a ser revitalizada. “A mais recente escolha foi a cabeceira do Rio Mangai devido à sua importância na região e ao alto grau de degradação já submetido”, explica

FONTE: Agencia Minas Gerais

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cientistas criam grupo para análises independentes da tragédia em Mariana


A lama que corre por Minas Gerais e Espírito Santo é tóxica? Qual o impacto real na fauna e na flora da região? Qual a qualidade da água? Quem deve responder legalmente pelo desastre? São muitas as perguntas em torno da catástrofe provocada pelo rompimento das barragens em Mariana e poucas as fontes confiáveis. Para tentar achar respostas livres de interesses privados ou tendenciosas, um grupo de pesquisadores e cientistas decidiu fazer uma avaliação independente dos impactos ambientais.

As conversas começaram entre amigos --eram dez pesquisadores que acreditaram que precisavam fazer mais do que só comentar sobre a tragédia. Mas logo a iniciativa tomou enormes proporções. Hoje, o projeto conta com uma página no Facebook com mais de 3.500 inscritos e um crowdfunding, financiamento coletivo, que já arrecadou mais de R$ 27 mil.

"Estávamos trocando uma infinidade de posts e surgiu a vontade de fazer um trabalho independente e de fácil acesso, usar nossas habilidades científicas para compreender o que realmente aconteceu. Criamos uma corrente científica." Alexandre Martensen, biólogo que ajuda na coordenação do estudo enquanto faz doutorado na Universidade de Toronto

Os primeiros pesquisadores do grupo, batizado de Giaia (Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental), foram até Mariana com recursos próprios ou com apoio de universidades. Depois moradores e voluntários de diversas áreas se juntaram.

"Não tínhamos ideia das proporções que alcançaríamos. A proposta era conseguir juntar R$ 50 mil para financiar análises do solo e da água, para ver como a lama de fato afetou a região. Mas o número de voluntários foi tamanho que agora há diversos subgrupos para estudos das mais variadas vertentes", conta Martensen.

Advogados voluntários estão analisando a parte legal da catástrofe, enquanto moradores auxiliam na coleta de amostras. Pesquisadores colaboram cedendo estudos sobre a região ou oferecendo novas análises aprofundadas da fauna e da flora.

O Giaia planeja colocar em um site todos os estudos, publicados de maneira que qualquer leigo consiga compreender os resultados. As informações estarão disponíveis em detalhes, com a origem da amostras analisadas, quem as colheu, quando e qual o laboratório responsável pela análise.

"Junto com a tragédia veio uma enxurrada de informação e não sabíamos quem tinha razão na análise de dados", explicou Martensen. "Por exemplo, há quem acredite que o rio pode diluir a lama e voltar a viver, há quem diga que ele está morto. Não compramos nenhuma resposta, mas incentivamos os estudos para compreender a situação."

O grupo conseguiu amostras da água e do solo limpos, antes de a lama alcançar a foz do rio, e por isso será capaz de fazer diversos estudos comparando o antes e depois. As amostras serão encaminhadas para diferentes laboratórios para garantir resultados precisos dos danos na bacia do rio Doce. "Sem vínculos com empresas, queremos divulgar os resultados sem interesses subjetivos", ressalta o biólogo.

O projeto animou a comunidade científica. Além de criar um grande acervo de pesquisa capaz de viabilizar respostas claras sobre o acidente, o projeto abre portas para estudos futuros.

FONTE: UOL

Texto a seguir está no site Kickante para obtenção de fundos para a pesquisa:

A divulgação da iniciativa atingiu um número enorme de pessoas, vários profissionais relacionados ao tema se ofereceram como voluntários. Várias outras iniciativas de monitoramento e relato dos impactos causados pela lama que desce o Rio Doce estão em andamento.

O momento e a quantidade de pessoas agregadas oferecem a oportunidade única de realizar um trabalho colaborativo envolvendo comunidade científica e cidadãos atingidos pelo desastre através do conceito de ciência cidadã.

O envolvimento da comunidade nas atividades científicas é fundamental para expandir a nossa capacidade de coleta de dados; ampliar, disseminar e valorizar o conhecimento científico; valorizar e empoderar o cidadão, além de ampliar o pensamento crítico e gerar insumos políticos para um possível debate posterior das consequências do desastre.

Continuamos contando com a ajuda de todos para a construção coletiva do relatório!

https://www.facebook.com/giaia2015

http://giaia.eco.br/

A lama liberada pelo rompimento das barragens seguirá o curso dos rios em seu caminho, causando impactos negativos enormes, tanto para as populações humanas que vivem às margens quanto para os ambientes por onde passa. A mortandade da fauna comprometerá a biodiversidade dos corpos de água e a regeneração destes ambientes será demorada, aumentando os efeitos do desastre.

Os impactos ambientais devem ser documentados com a maior isenção e precisão possíveis. Isto é de extrema importância para que decisões relacionadas ao evento sejam tomadas também de forma isenta, reais responsabilidades sejam apuradas, além de proporcionar condições para amenizar os danos causados e fornecer subsídios que ajudem a criar procedimentos que minimizem o risco de que o fato se repita em empreendimentos semelhantes.

Considerando que este é um dos maiores desastres ambientais sofrido pelo Brasil, envolvendo rios e as populações a sua volta, abrangendo vários municípios, que as posturas das instituições públicas são vagas e o poder econômico dos envolvidos, é de extrema importância que exista um relatório independente e isento, que possa ser utilizado nas ações decorrentes relacionadas aos efeitos do rompimento das barragens.

Preocupados com isto, um grupo de pesquisadores se mobilizou voluntariamente para realizar este levantamento.

TODOS OS NOSSOS RESULTADOS SERÃO DE DOMÍNIO PÚBLICO constituindo-se em ferramenta para que este desastre não fique impune.

Faremos PRESTAÇÃO DE CONTAS PÚBLICA DE CADA CENTAVO.



Para nós, ética e rigor científico são valores fundamentais e incondicionais. Somos um grupo independente e apartidário.

Para concretizar os trabalhos, é necessário cobrir as despesas envolvidas. Para isto contamos com a ajuda de todos. Contribua para esta iniciativa e mostre que não aguentamos mais o acobertamento de eventos como este.

#GIAIA

#somostodosresponsáveis

#‎sosriodoce

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